13 Julho 2009

Procura-se um texto


Tenho o título, mas não tenho o texto. Você tem? E você? Ei, você que está passando, me dá um texto? Ninguém tem um texto? Pode ser qualquer um; o que não quero é que meu título recém-nascido já comece órfão a vida.



Bom dia, dona Moça! Vim aqui colocar um anúncio no seu jornal. O classificado deve ser assim:

“Busco um texto para meu título. Procurar-me na casa s/n, aquela de cinco portas e nenhuma parede. O ponto de referência é um carro sem lataria, sem motor, sem nada, só com pneus. E ao lado do carro tem uma árvore sem troncos, sem galhos, só folhas. Quem me der um texto, será bem gratificado".

Imagem: Stock photo

12 Julho 2009

Socorro!!!

Hoje publiquei aqui no blog o texto “Um ato de escrever”. Duas pessoas me avisaram que tentaram inserir um comentário abaixo deste post, mas não conseguiram (embora uma delas, a Du, alcançou tal êxito depois).


Não sei qual a razão deste problema, pois há dois dias que não mexo no meu template (e, reiterando, postei o texto hoje). No meu computador, consigo postar comentários no meu blog normalmente.

O pedido que faço a vocês, meus amigos blogueiros, é que insiram um comentário abaixo deste post que vocês estão lendo. Só mesmo para dizer que conseguiram comentar. Caso não consigam, por favor, me avisem através do formulário de contato que está no menu logo abaixo do cabeçalho.

Ficarei grato pela ajuda de vocês.

Um ato de escrever

Ontem, a tristeza apareceu sem mandar aviso. Inicialmente, lutei contra ela. Como não consegui vencê-la, juntei-me à inimiga. Passei a explorar cada pedacinho dela, enquanto eu ia registrando minhas descobertas no papel.

A tristeza chegou ao ponto de não mais suportar tanta dor. Por isso, ela quis ir embora, mas não admitindo que estivesse fugindo. Só a deixei sair, quando eu já a havia explorado por completo.

Depois desse episódio, alguém me chamou de masoquista. Me defendi: “Masoquista é a tristeza se ela pretender voltar”. Hoje, porém, afirmo que sou masoquista, sim, mas só quando a torturadora é a alegria.

A alegria pode fazer de mim gato e sapato; não me importo. Também gosto de explorá-la, assim como qualquer sentimento. Quando faço esse tipo de exploração, me sinto ainda mais humano, porque a essência do ser é experimentar sentimentos, embora nem todos os sentimentos nos sejam bem-vindos.

08 Julho 2009

Homem de Palavra

Amo a palavra. Com ela eu brinco, falo sério; gosto, não gosto; trabalho, descanso. É por meio da palavra que penso, sinto, vejo, sou visto.
Amo a palavra, porque sou palavra, homem de palavra.


Escrevi o texto acima há aproximadamente três anos, quando eu nem aventava a possibilidade de ter um blog.

Ali eu expressava algo da minha relação com a escrita. Mas hoje, além desta finalidade, tal texto soa como provocação neste momento em que retorno à blogosfera.

Provocação porque muitos poderiam dizer que descumpri a promessa (palavra) de parar de blogar. Entretanto, é justamente por eu amar a palavra e tudo o que ela pode traduzir que estou de volta.

E essa palavra – que é a personificação de minhas opiniões, divagações e devaneios – tem no blog uma excelente, prazerosa e viciante forma de ser divulgada.
É isso. Voltei!


P.S¹:
A partir de agora, não terei uma periodicidade definida para atualizar o blog. Poderei postar uma vez por semana ou, até mesmo, quinzenalmente.

P.S²
No texto do dia 18 de maio, eu deixei em aberto a possibilidade de retornar; foi isso que eu quis dizer com o trecho: “(...) não existe adeus definitivo, por mais taxativa que seja a despedida. Afinal, assim como houve o primeiro encontro, um reencontro sempre é possível”.

18 Maio 2009

Comunicado

Eu afirmei que voltaria no mês de maio. E aqui estou, cumprindo minha palavra. Entretanto, este post é apenas para comunicar que estou saindo de cena.

Atualmente me dedico a outras atividades intelectuais imprescindíveis, que exigem tempo e foco. Ou seja, se eu continuasse a atualizar o blog, a qualidade das postagens seria afetada negativamente. Isso contraria o meu princípio: não quero produzir textos apenas com o objetivo de receber visitas.

Diante disso, agradeço a todos os leitores do blog Ponderantes, os quais ao longo deste um ano foram minha principal motivação para escrever todos os trabalhos que aqui estão.

É necessário dizer que o blog não sairá do ar. Ele tão-somente deixará de ser atualizado. Além disso, o layout também será mantido (incluindo todos os links).

Aos blogueiros que sigo aviso que não deixarei de acompanhá-los, apenas diminuirei a frequência das visitas.

É isso! Mas como costumo dizer, não existe adeus definitivo, por mais taxativa que seja a despedida. Afinal, assim como houve o primeiro encontro, um reencontro sempre é possível.

Obrigado.

Valdeir Almeida.

05 Abril 2009

Ausência Temporária

Aos amigos, seguidores e demais leitores do meu blog comunico que precisarei me ausentar da blogosfera até o próximo mês. Mas levo comigo a saudade, esta sádica companheira.


Eu estaria sendo hipócrita se – só para me consolar – dissesse a mim mesmo que este período é curto. Para quem não é blogueiro, pode até ser, mas para nós, que cultivamos o hábito de “bloggar”, é uma eternidade.

Se quiserem e – espero que queiram – podem continuar a comentar nos posts e/ou me enviar mensagens através do formulário de contato (no menu abaixo do cabeçalho).

Então, abraços e até maio.

Imagem: Stockxpert

01 Abril 2009

Vergonha nacional: os altos salários dos professores

Os vereadores laboram de segunda à sexta, oito horas por dia, num ambiente turbulento, hostil e sem infra-estrutura. Apesar disso, recebem apenas um salário mínimo por mês. É uma das remunerações mais baixas entre todas as classes trabalhistas.


Só para citar um exemplo, nas Câmaras de todo o País faltam materiais imprescindíveis para a execução das funções desses políticos, como mesa, cadeira, tinta para impressora e papel. Além disso, por trabalharem arduamente pelo povo, nossos parlamentares municipais sofrem constantes ameaças dos poderosos (inclusive à mão armada).

Um vereador – que não quer ser identificado – diz que pensa em sair da vida política. “Todos os cargos públicos eletivos – não apenas o de vereador – são desestimulantes. Trabalhamos exaustivamente a favor da população. E é por isso que muitos inconformados magnatas invadem nossos gabinetes para nos ameaçar e, muitas vezes, chegam a cumprir a ameaça”. Esse vereador, que usa chinelo de dedo e uma camisa desbotada, ainda acrescenta: “Na maioria das vezes, temos de tirar o dinheiro do próprio bolso para suprir a falta de material de trabalho. Com isso, no final do mês, não sobra quase nada, pois, como já é público e notório recebemos os piores salários do Brasil”.

Enquanto os políticos reclamam, com razão, dos baixíssimos salários, os professores brasileiros – incluindo aqueles que lecionam para as séries iniciais – ostentam o contracheque mais gordo do País. Seus ordenados chegam a oito mil reais mensais. Por conta disso, o termo Mestre virou sinônimo contemporâneo de Marajá (já incorporado aos dicionários).

Muitos organismos sociais empreendem uma luta permanente para tentar combater essa astronômica disparidade. Eles já sugeriram aos deputados e senadores vários projetos de lei para redução dos salários colossais dos professores brasileiros. Entretanto, os documentos nem chegam a ser discutidos, em virtude da bancada da Educação no Congresso. Essa bancada formou um impiedoso lobby que insurge contra qualquer coisa que tente diminuir os privilégios dos professores.

João da Silva e Silva, coordenador de uma ONG, reclama que a alta remuneração dos docentes é desproporcional ao ambiente de trabalho em que eles atuam. “Nas escolas particulares ou publicas, todos os alunos são disciplinados e educados. Nunca respondem aos professores. Adicione-se a isso que as instituições de ensino são tão tranquilas e silenciosas que uma professora chegou a dormir dentro da sala de aula, diante dos alunos adolescentes do Ensino Médio”, diz o coordenador.

Para afirmar isso, João da Silva e Silva se respalda em dados concretos, que trazem outras revelações, como o fato de os professores não necessitarem desenvolver trabalhos extraclasses, conforme se imaginava. “Só seria trabalhoso se a realidade do alunado e de sua comunidade fossem totalmente diferentes da comunidade escolar. Mas, como as realidades são as mesmas, qualquer projeto é inútil”.

João revela também que os professores não precisam mais perder seus finais de semana corrigindo avaliações. Afinal, as provas foram extintas das escolas há muitos anos.


Este foi o sonho que a professora Maria José teve, enquanto ficou desacordada sobre uma cama de hospital.

Horas antes, a sala onde ela estava dando aula fora invadida por vândalos que estudavam na própria escola que depredavam. Maria José entrou em pânico, sofreu crise de convulsões e perdeu completamente os sentidos.

Agora – no quarto do hospital – sentindo intensas dores físicas e emocionais, a professora conseguiu sorrir sarcasticamente de si mesma. Isso porque, após olhar o calendário na parede ao lado da cama, viu que aquele era dia 1º de Abril.

Com o sorriso ainda presente em seu rosto, ela falou:

“Bem que minha realidade poderia ser uma brincadeira, uma pegadinha do Dia da Mentira. Mas minha vida é uma verdade nua, crua e dolorosa”.

Imagem: Stock.XCHNG

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